Resposta direta
Existe, sim, uma orientação nova em 2026. Em 28 de abril, um telegrama mundial do Departamento de Estado determinou a inclusão de duas perguntas verbais nas entrevistas de vistos de não imigrante: se o solicitante já sofreu danos ou maus-tratos no país e se teme sofrer danos ou maus-tratos ao retornar.
Segundo o telegrama reproduzido por veículos e especialistas que analisaram o documento, responder "sim" a qualquer uma delas ou se recusar a responder leva à recusa do visto de não imigrante. A resposta precisa ser verdadeira.
O que está acontecendo nas entrevistas em 2026
As duas perguntas foram reportadas pelo Washington Post, pela CNN Brasil e pela Fragomen, que analisaram ou descreveram o telegrama diplomático:
- Você sofreu algum dano ou maus-tratos no seu país de nacionalidade ou último país de residência habitual?
- Você teme sofrer algum dano ou maus-tratos ao retornar ao seu país de nacionalidade ou residência permanente?
O texto integral do telegrama não está disponível em uma página pública do Departamento de Estado, mas a orientação é mundial e entrou em vigor imediatamente em 28 de abril de 2026. No Brasil, as perguntas aparecem em versões mais diretas, como "Você já sofreu algum tipo de perseguição ou ameaça no Brasil?" e "Você tem medo de retornar ao Brasil?".
Segundo o acompanhamento da Viaggi, elas passaram a aparecer em quase todas as entrevistas observadas pela empresa em 2026. Essa frequência vem da experiência de campo da Viaggi, e não de uma estatística oficial dos consulados.
E ela não é a única pergunta nova observada em 2026: solicitantes também vêm relatando a pergunta sobre já ter viajado para a África, que explicamos em artigo próprio.
Essa mudança faz parte de uma tendência mais ampla de avaliação consular, que inclui também análises mais detalhadas em torno de vínculos com o Brasil, histórico migratório e coerência das respostas.
Por que o oficial pergunta isso
A lógica por trás é simples. O oficial consular precisa decidir, em poucos minutos, se o solicitante realmente vai voltar para o Brasil depois da viagem. Toda análise de visto B1/B2 parte de uma presunção legal:
A pessoa é tratada como possível imigrante até provar o contrário.
Esse é o princípio da Seção 214(b) da lei de imigração americana, e é justamente nesse artigo que a maioria das negativas é fundamentada.
O telegrama relaciona as perguntas à possibilidade de o solicitante pretender pedir asilo depois de entrar nos Estados Unidos. Dano ou maus-tratos sofridos e temor de retorno são elementos que podem aparecer em um pedido de asilo. Para um visto B1/B2, isso também levanta dúvida sobre a intenção de fazer uma viagem temporária e sair dos Estados Unidos dentro do prazo.
Em 24 de agosto de 2026, essa mesma linha de fiscalização ganhou um novo capítulo: documentos internos obtidos pela Associated Press revelaram um plano de revogação de vistos B1/B2 ligados a pedidos posteriores de asilo. O plano não transforma todo pedido de asilo em fraude, mas reforça por que o consulado investiga a intenção existente no momento da solicitação do visto.
Uma resposta afirmativa leva à recusa do visto?
Segundo o telegrama reportado, sim. O oficial deve registrar as respostas no sistema consular, e a emissão não prossegue se o solicitante responder "sim" a qualquer uma das perguntas ou se recusar a responder.
Isso não significa que o solicitante deva mentir. Uma resposta falsa em uma entrevista consular pode gerar consequências muito mais graves e também contradizer um eventual pedido futuro de proteção. A orientação correta é responder com verdade e objetividade.
Se a resposta verdadeira for positiva, o caso exige aconselhamento jurídico individual antes da entrevista. A preparação comum para visto de turismo não substitui a avaliação de um advogado de imigração dos Estados Unidos.
Como responder se a pergunta aparecer
Não decore uma negativa se ela não for verdadeira e não tente descobrir qual resposta o oficial quer ouvir. Responda exatamente ao que foi perguntado, com clareza e sem inventar contexto.
Se você nunca sofreu danos ou maus-tratos e não teme retornar, diga isso de forma direta. Se sofreu ou teme de verdade, não esconda a situação e não improvise no guichê. Procure orientação jurídica individual antes da entrevista para compreender as consequências no seu caso.
Quem se prepara antes da entrevista chega muito mais tranquilo nesses momentos. Vale revisar os documentos que você precisa levar e treinar a postura usando o simulador de entrevista, que ajuda a perceber inseguranças antes que elas apareçam no consulado.
O que realmente decide a entrevista
Para quem responde negativamente às duas perguntas de forma verdadeira, a entrevista continua com a análise normal do visto. O que pesa, então, são três pilares:
Vínculos com o Brasil. Emprego estável, renda comprovada, família, estudos, negócio próprio, rotina concreta. Tudo isso forma a base da sua intenção de retorno. Bens como imóvel e carro entram por outro caminho: são um ponto positivo, que ajuda o entrevistador a ter uma percepção melhor da qualidade dos seus vínculos, mas não são vínculo por si só.
Histórico do candidato. Viagens internacionais anteriores, comportamento migratório, coerência entre o que está no DS-160 e o que você fala. Aqui é onde ter mais de uma viagem internacional no histórico costuma ajudar.
Coerência das respostas. Segurança, clareza, naturalidade. Sem rodeios, sem excesso de detalhes, sem improvisar histórias.
Aliás, a forma como você responde costuma valer mais do que a resposta em si. Insegurança crônica e contradições são alguns dos erros que mais reprovam visto.
E se eu tiver medo real de voltar?
Se você sofreu danos ou maus-tratos ou teme sofrer algum dano ao retornar, não tente adaptar a sua história para obter o visto de turismo. O B1/B2 é temporário, e uma resposta falsa pode comprometer o histórico consular e outros processos migratórios.
Esse cenário exige análise individual de um advogado de imigração dos Estados Unidos antes da entrevista. A Viaggi pode preparar o processo de visto de turismo, mas uma situação real de perseguição, ameaça, dano ou temor de retorno envolve questões jurídicas próprias.
Como se preparar para entrevistas mais investigativas
A entrevista em 2026 está mais conversacional e menos protocolar. O oficial faz perguntas em sequência, observa reações, e às vezes muda de tema só para testar consistência. Isso significa que o preparo precisa ser diferente.
Recomendações práticas:
- Estude bem o seu DS-160 antes da entrevista
- Tenha clareza sobre datas, valores e endereços que você declarou
- Saiba explicar sua rotina no Brasil em poucas frases
- Evite respostas longas demais ou muito curtas
- Treine a sua postura, principalmente o tom de voz
Se for sua primeira tentativa, o cuidado precisa ser ainda maior. A primeira entrevista costuma ser determinante para o histórico no sistema, e errar nela pode prejudicar tentativas futuras.
Posso recorrer se for negado por causa dessa pergunta?
Não existe recurso formal contra negativa de visto americano. O que existe é uma nova solicitação, com uma nova entrevista, e idealmente com um perfil melhor estruturado. Esse processo está explicado em mais detalhes neste artigo sobre recurso de visto negado.
A negativa por 214(b) não é definitiva, mas tentar de novo sem mudar nada é o erro mais comum.
Conclusão
O procedimento da entrevista de visto americano mudou em 28 de abril de 2026. Uma orientação mundial acrescentou duas perguntas verbais relacionadas a danos, maus-tratos e temor de retorno para solicitantes de vistos de não imigrante.
O ponto não é decorar uma resposta. É compreender a pergunta e responder com verdade. Se a resposta real for positiva, procure orientação jurídica individual antes da entrevista.
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FAQ - Perguntas Frequentes
A pergunta sobre medo de voltar é obrigatória?
Uma orientação mundial do Departamento de Estado, com vigência desde 28 de abril de 2026, prevê essa pergunta e outra sobre danos ou maus-tratos para solicitantes de vistos de não imigrante. A Viaggi passou a observar as duas em quase todas as entrevistas acompanhadas em 2026, embora a frequência brasileira não seja uma estatística oficial.
Posso ter o visto negado só por essa resposta?
Segundo o telegrama do Departamento de Estado reproduzido por veículos e especialistas que analisaram o documento, responder 'sim' a qualquer uma das duas perguntas ou se recusar a responder leva à recusa do visto de não imigrante. A resposta deve ser verdadeira. Quem realmente sofreu danos ou teme retornar deve buscar orientação individual de um advogado de imigração dos Estados Unidos antes da entrevista.
O que significa intenção migratória?
É quando o consulado entende que o solicitante pode tentar permanecer nos EUA além do permitido pelo visto. Esse é o critério central do visto B1/B2.
O consulado sempre analisou isso?
A intenção migratória sempre foi analisada nos vistos B1/B2. A novidade de 2026 é uma orientação mundial que acrescentou duas perguntas verbais específicas sobre danos, maus-tratos e medo de retornar, com registro das respostas no sistema consular.
Vale a pena se preparar para a entrevista?
Sim, e bastante. A diferença entre aprovação e negativa muitas vezes está no preparo, não nos documentos.
Ter vínculos no Brasil ajuda mesmo?
Sim. É um dos critérios mais importantes da análise. Quanto mais consistente o vínculo, melhor o cenário.







